Foram vários os convites: Cats, Médico e Monstro, F1, Paul Mccartney... Não fomos (nem vamos) a nada... Com o Heitor sendo amamentado a cada três horas ficava difícil deixá-lo.
Não tive problemas para ter leite e não passei por nenhuma daquelas mazelas que muitas mães passam: mastite, bico do seio rachado, leite que demora a descer e bebê que urra de fome.
Comigo foi tudo muito tranquilo. Amamentar era divino prazer...
Até os seis meses, a fome e a sede dele, quem matava era eu... Essa habilidade plena de satisfazer totalmente as necessidades primárias do meu bebê, conferiam a mim, ao invés de poder, uma certa escravidão...Eu não podia me ausentar por muito tempo e qualquer saidinha mais longa exigia logística sentimental: eu só marcava compromissos nos prováveis horários de sono dele e dependia da boa vontade da minha funcionária ou da minha incrível mãe, que eram as duas únicas pessoas que entendiam minha necessidade, aparentemente frívola, de novos ares proporcionados por salões de beleza e shopping centers e aceitavam esta delicada empreitada por algumas horas...
E ainda existia o aperto pretencioso no peito: será que ele ficará bem?
Ele sempre ficava bem... O Heitor é uma delícia de bebê, de trato super fácil e muito dorminhoco...
Mas os programas socias ficam completamente limitados... Aqui em São Paulo me é vetado um cineminha sábado à noite... Agora, com quase oito meses, meu caçula já está um moço, come papinha e frutinha com a melhor boca desse mundo. Meu leite já não é seu único alimento mas a responsabilidade total e irrestrita, para com ele, é minha...
E se cineminha é impossível, imagine show do Paul...
A gente perde muita coisa... Mas essas perdas são docemente recompensadas: o ex-beatlle não me sorriria como meu filhote me sorri.
Em verdade, o sorriso do Heitor é o maior espetáculo que posso e quero assistir.
É o meu melhor programa...
Quem pode, agora, dizer que eu, de fato, perdi?
Você e Eu
(Carlos Lyra e Vinícius de Moraes)
Podem me chamar
E me pedir e me rogar
E podem mesmo falar mal
Ficar de mal que não faz mal
Podem preparar
Milhões de festas ao luar
Que eu não vou ir
Melhor nem pedir
Eu não vou ir, não quero ir
E também podem me obrigar
Até sorrir, até chorar
e podem mesmo imaginar
O que melhor lhes parecer
Podem espalhar
Que eu estou cansado de viver
E que é uma pena
Para quem me conheceu
Eu sou mais você
E... eu
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